sábado, 10 de março de 2012

A reflexão de Junho sobre sua viagem à Etiópia – Revista da World Vision







A reflexão de Junho sobre sua viagem à Etiópia – Revista da World Vision
Primeiras férias em 4 anos, aqui vou eu!


Decidi visitar a Etiópia 7 ou 8 meses depois de ter começado a fazer doações ao Felmeta. Comecei a me sentir cansado da rotina diária, e parecia que eu ia enlouquecer. Mesmo gostando do meu emprego, acho que todo mundo já se sentiu em pouco depressivo por fazer a mesma coisa sem parar. Foi quando eu conversei com o Bongwon (Engenheiro de Som da JYPE) sobre “o que é a real felicidade?” Trocamos ideias sobre o que ainda devemos tentar para fazer ou conquistar coisas que nos farão felizes – gostar do nosso trabalho, conhecer pessoas legais, comprar uma casa, um carro, tudo nos mínimos detalhes. Contudo, já que eu queria retornar todo o amor que tenho recebido, nossa conversa naturalmente mudou para “ajudar crianças”. Eu me recordo claramente de ter dito, “Então vamos arranjar um tempinho para visitar as crianças que temos ajudado.”

Após falar com o pessoal da World Vision, prometi arranjar tempo, não importasse como, mas lá no fundo eu estava meio inseguro, porque a nossa agenda vive lotada de compromissos. “Seria melhor se fossemos para lá após aprender bastante, ou deveríamos ir agora, porque não sabemos quando teremos tempo outra vez?“- e então foi decidido, porque eu sabia que essa era a chance de usar o meu tempo para fazer algo significativo. Então, partimos para a Etiópia na noite do dia 16 de janeiro de 2012.
A emoção

Já que íamos para a Etiópia ver nossos amiguinhos, levamos alguns presentes conosco. A temperatura lá varia muito durante o dia, então levar blusões era indispensável, o resto a gente comprou lá mesmo. Queríamos dar coisas que as crianças estivessem de fato precisando. Finalmente, embarquei no avião. Eu estava muito animado, sentado na classe econômica, só nós quatro sem empresário algum – duas pessoas da World Vision, Bongwon e eu. Já andei muito de avião na vida por causa dos compromissos fora da Coreia que eu e o 2PM tivemos, mas esta foi a primeira vez que fiquei animado desse jeito, como se eu fosse uma criancinha.

Estava quente na Etiópia…Fiquei um pouco preocupado porque meu corpo não suporta temperaturas muito altas, mas o vento que soprava era refrescante, e após passar tanto tempo dentro de um avião, era bom receber a luz do sol. Na manhã segunite, depois de uma viagem de carro em uma estrada sem asfalto que durou 8 horas, chegamos à JimmaGeneti, lugar onde a equipe da World Vision fica. Conforme as crianças nos recebiam com flores, canções e danças, me senti um pouco sem graça, pensando se nós merecíamos tal recepção.


 
Três dias de alegrias e tristezas

Fazia três dias que eu estava em JimmaGeneti. Durante esse tempo, me encontrei com o meu “filho adotivo” Felmeta e muitas outras crianças e conheci suas alegrias e dores.

Um dia fui com Felmeta tirar água do poço. Ao invés de usarmos garrafas próprias para recolher água, usamos velhos potes de óleo que ainda tinham vestígios de gasolina – não sei como é possível aguentar tomar aquela água. As crianças pareciam ter que se esforçar muito para pegar a água, então eu as ajudei, mas era frustrante a contradição de ter que derramar aquele tipo de água com as minhas próprias mãos. Eles precisavam de água potável urgentemente. Claro, as coisas naquele lugar estão mudando, eles já tem bombas de água instaladas pela World Vision, mas se formos pensar no número de pessoas que vivem lá, é ruim para todo mundo ter acesso à água limpinha. Aquele lugar ainda precisa muito da nossa ajuda.

Uma criancinha que não tinha pai e ajudava a mãe a criar seus dois irmãos, uma criança que nasceu infectada com o vírus da AIDS, uma família inteira com um pai que está tão doente por causa da elefantíase e não pode usar qualquer tipo de sapato. Ao darmos os presentes que havíamos preparado e os sapatos, mostramos a eles como proteger os pés com meias e lavá-los com lenços umidecidos, mas saber que várias famílias passam por esse tipo de dor todo dia me fez sentir tão impotente. Pensei, “Se comparado a eles, minha vida é muito feliz e confortável. Se todos se interessasem por esse tipo de problema, talvez poderíamos transformar o mundo em um lugar melhor. Talvez não imediatamente, mas ao menos no futuro.”  Dizem que, durante a Guerra da Coreia, a Etiópia mandou tropas de 6 mil soldados, e mais de 200 morreram durante a guerra. Contudo, após o golde de estado, o padrão de vida na Etiópia começou a se degradar. Mesmo que as coisas que eu fiz sejam muito pequenas, dar esperança a essas pessoas  e contar aos outros sobre a situação naquele país pode de alguma forma ajudar aqueles que tanto precisam.

Visitamos também a escola da World Vision. Fiquei fascinado ao ver as crianças saindo de todo canto: campos, montanhas, florestas. Conhecemos melhor cada uma delas ao cantarmos canções, jogar futebol, correr, fazer uma fogueira. Fiquei refletindo aos vê-los viver tão cheios de energia e sem reclamar, mesmo quando a vida deles é tão difícil. “Embora seja algo pequeno, se aqueles que possuem um pouco mais de felicidade estivessem dispostos a dividir e plantar sonhos e esperança, o futuro dessas crianças não seria melhor?” Conforme assistia àqueles pequeninos dançando e cantando, Bongwon e eu falamos sobre dar condições a elas para que pudéssemos testemunhar o nascimento de uma estrela global. Aquelas crianças eram tão talentosas e cheias de dons. O futuro que podemos imaginar não tem fim.


A felicidade de estar vivo e o prazer de poder ajudar e amar

Demos uma ovelha e uma macieira de presente ao Felmeta. Ele nos contou que cuidava das ovelhas de outra família, porque a dele não tinha gados. Queríamos que ele soubesse como era cuidar da sua própria ovelhinha, tirar o leite, se conectar ao animal. Já a macieira, nós a plantamos, ela dá frutos três vezes ao ano. Mais uma vez, queríamos que o Felmeta pudesse sentir que a árvore dará em troca o tanto de amor e carinho que você depositou ao plantá-la.  Não contamos a ele que era uma macieira. Ele vai ficar surpreso ao ver que maças aparecerão do nada após alguns anos. ^^

Já faz 3 semanas, e pensar no que aconteceu enquanto escrevo isto faz tudo parecer um sonho. Na verdade, estou super ocupado agora enquanto escrevo, mas sempre que penso na Etiópia, simplesmente sinto-me feliz. Não vou dizer ao Felmeta e as outras crianças para lembrarem de mim, somente que, se tiverem uma chance, que deem alegria a outra pessoa quando crescerem, outros que precisem bem mais de amor e carinho. É por isso que ser feliz é estar vivo, alegria é poder ajudar outras pessoas, e eu espero que vocês descubram que o amor surge através disso tudo.

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